BOMBEANDO DA BEIRA
Escutei de longe a “gaita aporreada”,
de voz embargada, perguntei quem é;
era o pago antigo, cantiga sonora,
trazendo de fora, este chamamé:
de bailar trocado, os pares na sala,
de fazer o pala abanar a poeira;
quem não dança escora esteios do rancho,
pousa de carancho, “bombeando da beira”.
Quando o fole arqueava, chorando nos baixos,
fazia o despacho que a gaita juntava;
se “o taita” parasse pra matar a sede,
por entre as paredes, o silêncio gritava:
-não pode parar, essa voz manheira,
a prenda solteira, “tem que se arrumar”;
todo casamento, se ajeita num baile,
pra sonhar em “braile”, precisa acordar.
Quando repetidos acordes antigos,
buscavam abrigos nesse mundo novo;
retrechando a história, que não foi escrita
mas, por ser bonita, acompanha o povo.
Sem contar as horas, vou seguindo em frente,
co’este som dolente e a emoção contida.
quem olha pra dentro, demonstra por fora,
o clarão da aurora, que amanhece a vida.
A alma da gaita faz parar o tempo,
que serve de exemplo, pr’essa geração;
o dia amanhece, o baile termina
no olhar da china, à minha intenção:
de levar comigo pro meu rancho pobre,
coração de nobre que foi preparado;
pro grande reinado do amor e desejo,
de afogar um beijo, no corpo molhado.
