CHORA, CHORA GAITA VÉIA​

Meus amigos com permisso, vou cantar nesta bailanta,
Trago meu Rio Grande véio, entonado na garganta.
Chinoquinha arraste a saia, faça a poeira levantar,
Que este xote vai pra ti, porque é lindo o teu bailar.


Abro o peito neste xote, no compasso do pandeiro,
Vai campeando a volta certa, e abre a gaita seu gaiteiro.
Pra tocar um xote largo, tem que ser de supetão,
E suspira a oito baixos, gaita véia de botão.


Chora chora gaita véia, feito guaxa desmamada,
Que o ferrão dos marimbondo, já bateu na gauchada.
Chora chora gaita véia, com teu choro ritmado,
Que vai neste nheco-nheco, feito sapo no banhado.


Coisa linda esta bailanta, neste grongo de rincão,
Num ranchito pendurado, lá na costa dum grotão.
É um lugar de muita fama, de algo feio que aparece,
Diz que lá tem lobisomem, quando a lua madurece.


Quando ronca a oito baixos, lobisomem também dança,
E se for a lobisoma, se conhece pela trança.


Não precisa de candeeiro, pra quem dança agarradinho
Só não dança deste jeito, só se for lobisominho.

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