DONA VANEIRA​

Crioulita, marca de terra e pampa
estampa que se agranda nos galpões
Tem o cheiro do assado nas brasas
É a dona que alegra muitos rincões

Desperta os sorrisos guardados
Num estalo esparrama sua fama
Vai curando as feridas antigas
Faceira e amiga do gole canha

(Essa vaneira que quebra o silêncio
Se espalha no vento, se escuta de longe
Os olhos brilhando no rastro do baile
Farejam as notas que sopram do fole
E algum mistério que a gaita esconde)

Alvorota as paixões silenciadas
Dando graça ao semblante fechado
Faz milagre numa xispa de tempo
Revendo motivos pra um riso largo

Deus defenda tua vida longa
Perdoa milonga, mas ela me tem
Renasço com ela pelas madrugadas
A gente se agarra, não tem pra ninguém

Rolar para cima