FIM DE TARDE NO CAMPO
Uma garça parece a saudade voando
no sul do meu peito te lembro, guria…
Nas largas lonjuras do campo onde ando
até minha sombra parece mais fria.
Se não fosse a lida, o cavalo e o cachorro
diria que estou sozinho no mundo,
e aqui nesse espaço que agora percorro
o verde parece um oceano profundo.
No pouco que resta deste fim de tarde
que o sol vem beijar no topo da serra
há cantos de plumas e gritos de alarde
à boieira pontual que a noite descerra….
Meu peito e meu rancho são só soledades…
Na hora do mate parecem taperas,
pois num cresce a erva, no outro saudades,
e de sonhos floridos só nascem esperas…
Esperas que espero nestes corredores…
nas tuas promessas que o peito reclama…
Um homem renasce se em seus amores
Afundam raízes da alma que ama…
